Há alguns meses tive a oportunidade de me aproximar de uma das comunidades de “Growth” mais ativas do Brasil, a de Santa Catarina. Pude palestrar em um Meetup numa Start-up sensacional chamada Blueticket. Depois de lá surgiram algumas conversas, e delas o Giovanni Lucas me chamou para compartilhar minhas experiências como hacker aqui. Tão logo quanto isso aconteceu, me veio na mente: Só que afinal, o que é ser um hacker?

Muito provavelmente, ainda mais por tu estar lendo este texto, tu já deparaste com essas expressões: Marketing Hacker, Growth Hacking ou Growth Marketing.

Bom, eu sou um Growth Hacker muito antes de saber o que isso significava. E com o passar do tempo, e com mais e mais pessoas tendo contato, muitos vêm me perguntar o que realmente significam essas expressões.
Já abordei de diversas maneiras o que é Growth Hacking Marketing, mas quero tentar algo novo. Até por ser meu primeiro post por aqui.

O que Growth Hacking não é!

1. Não é Antiético:

Há uma grande confusão quando falamos sobre hackear resultados. Muitos pensam em algo sujo e trapaceiro, onde pessoas vão roubar ideias ou até mesmo material de terceiros. E não! Os conceitos básicos do GHM vão totalmente na contramão disso.

Apesar de ter hacking no nome, o principal objetivo do GHM é encontrar soluções plausíveis, testáveis/escalonáveis e que principalmente supram as expectativas dos clientes (internos e externos).

Se formos analisar o termo “hacking”, perceberemos que: originalmente, e para certos programadores, hackers são indivíduos que elaboram e modificam software e hardware de computadores, seja desenvolvendo funcionalidades novas ou adaptando as antigas. Agora aplique isso ao marketing, pegue as velhas ferramentas e teste-as em funções novas. De certo tu encontrarás novas respostas, novos clientes, novos níveis de resultado.

2. Não é (apenas) Marketing Digital:

Verdade! Isso por que Growth Hacking não é apenas Marketing Digital.

Esse talvez seja o ponto que eu mais defendo e chamo a atenção. Não há motivos e nem sentido para ser apenas digital.
Growth Hacking é uma metodologia de aceleração de resultados, muito, mas muito pautada em pessoas.

A principal diferença de um Growth Hacker é: capacidade de sanar necessidades e não somente criá-las, como comumente ocorre no marketing tradicional.

Oras, se quero falar com pessoas, por que usaremos somente os meios digitais? Tu podes me dizer que hoje as pessoas são mais conectadas. Sim, isso é um fato. Entretanto, para ti e teu negócio talvez o grande hack de crescimento esteja numa campanha no jornal do bairro, ou nos outdoors e billboards da cidade, ou até em qualquer outra mídia off.

E indo mais além, Growth Hacking é uma metodologia que pode ser aplicada no teu planejamento e se tornar uma estratégia. Por esse motivo, Sean Ellis (o cunhador do termo Growth Hacking), diz que é melhor ter um Growth Hacker do que um VP de marketing. Pense bem, um verdadeiro Guru do Vale do Silício não diria isso se fosse para os Hackers de crescimento ficarem apenas cuidando de campanhas de Adwords. Não acha?

3. Não é apenas para DEV:

Ok, nos apropriamos de alguns termos deles. Porém, GH não somente para eles. É para todos e em todos os níveis hierárquicos.

Como isso é possível?

Simples. É só ter sede de conhecimento, e mais sede ainda de compartilhar conhecimento. Lembra da ética? Então, uma das obrigações éticas do growth hacking é compartilhar e desenvolver a comunidade. E não só a comunidade GH, mas seu local de atuação.

Afinal, o que fazemos é: de pessoas, para pessoas e por pessoas.
Isso não significa que tu tenhas que dar os resultados da tua empresa para um concorrente analisar, só que no mínimo tu tens que ajudar pessoas a crescerem. Isso é outra coisa que emprestamos dos desenvolvedores.

Se achas que sou radical, não precisa procurar muito na internet, basta uma simples busca no Google e tu veras como a comunidade é ativa em compartilhar conhecimento.

4. Growth Hacking não é o Houdini e nem o Copperfield:

Se alguém disser que é um hacker e prometer soluções que mais parecem um show pirotécnico, por favor, desconfie.
Somos hackers, mas não magos.

Deveras, GH é pautado em três pilares básicos:
Dados, Marketing Criativo, Engenharia e Automação.

Ou seja, é preciso analisar muitos dados, um trabalho muito forte de marketing criativo (focado em pegar as ferramentas velhas e colocá-las em novas funções) e desenvolver processos ágeis, de preferência autômatos, para assim podemos liberar mais tempo para análise de dados e criação de estratégias.

E para isso dependemos de algumas habilidades específicas. Habilidades estas que são muito difíceis de se encontrar em uma pessoa apenas, por esse motivo é muito comum termos times de growth sem uma hierarquia engessada.

O mais interessante nesse cenário é que, com o passar dos anos vejo que tanto para mim quanto para meus colegas hackers, certas habilidades foram aprimoradas, ao mesmo passo que conquistamos novas. Muito em conta por essa diversidade tão grande encontrada neste meio, e também pela mente aberta em aceitar novas experiências, aproveitando-as da melhor maneira possível.

Por fim, o que Growth Hacking é:

É muito lógico e muito intuitivo. É essa fusão que faz com que seja fascinante.
É uma metodologia muito transparente e com uma força incrível para mudar paradigmas organizacionais. Acredito que growth hacker terá cada vez mais importância dentro do mercado brasileiro.

 

Growth hacker, estrategista digital e cozinheiro amador. Especialista em Planejamento e Mídia (ESPM) e Comunicação (UFSC), com dez anos de carreira, já atuou em projetos para Kimberly-Clark, Samsung, Rocket-Internet, Terra, FastShop, entre outros. Hoje é professor de Growth Hacking Marketing na FIAP e palestrante.